O prefeito Ricardo Nunes (MDB) anunciou, nessa quarta-feira (25/2), pelas redes sociais, a demissão de Rodolfo Marinho, secretário adjunto de Turismo da cidade de São Paulo e ligado ao vereador Gilberto Nascimento Jr (PL), e do presidente da São Paulo Turismo (SPTuris), Gustavo Pires, que chegou ao cargo devido à grande proximidade com o ex-prefeito Bruno Covas.
Na sexta-feira (20/2), a coluna Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, revelou que Marinho era sócio de Nathália Carolina de Silva Souza quando esta fundou a agência MM Quarter. Assim que ele se tornou secretário de Turismo, nomeado por Nunes, em 2022, a Quarter passou a ser contratada de forma contínua pela SPTuris e pela própria secretaria de Turismo.
Atualmente, a Quarter tem R$ 232 milhões em contratos vigentes com a prefeitura de São Paulo. O prefeito não explicou por que manteve no cargo o atual secretário de Turismo da prefeitura, superior de Marinho, o pastor evangélico e deputado estadual Rui Alves (Republicanos).
“Vocês devem ter acompanhado, no dia 20 saiu uma matéria trazendo denúncias sobre uma empresa fornecedora da prefeitura de São Paulo. Hoje, a controladoria me trouxe documentos referentes a esta apuração. Dentro desses documentos, uma procuração da Nathália para o secretário adjunto Rodolfo Marinho. Por causa disso, estou demitindo, exonerando, o senhor Rodolfo Marinho”.
No mesmo vídeo, Nunes também anuncia que está nomeando o “Coronel Salles” (Marcelo Vieira Salles), ex-comandante da Polícia Militar, para presidir a SPTuris. Isso significa a demissão de Gustavo Pires, que ocupava o cargo. Pires, porém, não foi citado nominalmente pelo prefeito. Salles foi vereador pelo PSD e subprefeito da Sé.
Esta coluna mostrou que Nathália, que é a dona da Quarter no papel, informava à Junta Comercial, desde que fundou a agência com capital de R$ 1,2 milhão, que morava em um cortiço na zona norte. A coluna esteve lá e descobriu que Nathália vivia em um quarto e sala alugado com outros três familiares, mesmo depois de tirar R$ 14 milhões de lucro da Quarter em 2024.
A Quarter, que é administrada pelos irmãos Victor e Marcelo Correia Moraes, nega que Nathália fosse laranja. Na segunda, informou à Junta Comercial um novo endereço residencial para Nathália, uma sala comercial na zona sul.
A agência só tem mais de R$ 200 milhões em contratos com a SPTuris e com a Secretaria de Turismo porque, sempre que precisa renovar os contratos feitos sem licitação, ambas recorrem a pesquisas de mercado em que cotam preços com a VM Produções, de Victor Moraes, e a Oleiro, de Claudete Santos, que vem a ser a principal coordenadora da empresa.
Nesta quarta (25), a coluna mostrou que a Secretaria de Turismo, sob comando de Rui Alves, que segue no cargo, tem renovado o contrato para que a Quarter gerencie o Centro de Informações Turísticas (CIT) da cidade por R$ 12 milhões ao ano, apesar de a empresa não entregar itens visíveis, como TV de 85 polegadas e mapa tátil, que custam R$ 200 mil ao ano ao município.
Pelo mesmo contrato, a prefeitura de São Paulo bancou um salário de R$ 76 mil para Bárbara Moraes, irmã de Victor e Marcelo, no mês passado. Nunes recebe metade disso.
Metrópoles
