InícioBRASILVereadores do Recife rejeitam abertura de processo de impeachment de João Campos

Vereadores do Recife rejeitam abertura de processo de impeachment de João Campos

A Câmara Municipal do Recife rejeitou, nesta terça-feira (3), a abertura de processo de impeachment do prefeito João Campos (PSB). O pedido foi protocolado em dezembro de 2025, após a modificação do resultado de um concurso público para procurador municipal (saiba mais abaixo).

O requerimento precisava de votos favoráveis da maioria simples dos 37 vereadores que compõem a Casa de José Mariano. Entretanto, não obteve a quantidade necessária e, com isso, foi arquivado.

Foram nove votos a favor, 25 contrários e uma abstenção, da vereadora do PSOL Jô Cavalcanti (veja, mais abaixo, como votaram os vereadores). Não votaram Agora é Rubem (PSB) e Flávia de Nadegi (PV).

Antes da votação, grupos a favor e contrários ao impedimento de João Campos protestaram em frente à Câmara. A sessão foi interrompida diversas vezes devido a manifestações de pessoas presentes nas galerias do Plenário, e houve bate-boca entre vereadores pró e contra o impeachment.

Conforme o rito estabelecido pela Procuradoria, o autor do requerimento, vereador Eduardo Moura (Novo), fica impedido de votar. No lugar dele, exclusivamente para a sessão, tomou posse seu suplente, George Bastos (Novo).

O que os parlamentares votaram nesta terça-feira, dia da primeira sessão ordinária da casa, foi a admissibilidade do processo, e não o mérito. Se o pedido fosse aprovado, João Campos teria que se afastar da gestão e uma comissão processante, composta por parlamentares sorteados, seria composta para investigar o caso.

Ao fim do processo, os parlamentares votariam o mérito do impeachment, retirando, ou não, o prefeito do mandato.

Veja como votaram os vereadores:

 

Votaram sim:

  1. Alcides Teixeira Neto (Avante);
  2. Alef Collins (PP);
  3. Davi Muniz (PSD);
  4. Felipe Alecrim (Novo);
  5. George Bastos (Novo) *suplente;
  6. Gilson Machado Filho (PL);
  7. Paulo Muniz (PL);
  8. Thiago Medina (PL);
  9. Fred Ferreira (PL).

 

Votaram não:

  1. Aderaldo Pinto PSB)
  2. Carlos Muniz (PSB);
  3. Chico Kiko (PSB);
  4. Cida Pedrosa (PCdoB);
  5. Eduardo Mota (PSB);
  6. Eriberto Rafael (PSB);
  7. Fabiano Ferraz (MDB);
  8. Felipe Francismar (PSB);
  9. Gilberto Alves (PRD);
  10. Hélio Guabiraba (PSB);
  11. Júnior Bocão (PSD);
  12. Júnior de Cleto (PSB);
  13. Kari Santos (PT);
  14. Liana Cirne (PT);
  15. Luiz Eustáquio (PSB);
  16. Natália de Menudo (PSB);
  17. Osmar Ricardo (PT);
  18. Professora Ana Lúcia (Republicanos);
  19. Rinaldo Júnior (PSB);
  20. Rodrigo Coutinho (Republicanos);
  21. Romerinho Jatobá (PSB);
  22. Samuel Salazar (MDB);
  23. Tadeu Calheiros (MDB);
  24. Wilton Brito (PSB);
  25. Zé Neto (PSB).

Abstenções:

  1. Jô Cavalcanti (PSOL): abstenção;
  2. Agora é Rubem (PSB): não votou;
  3. Flávia de Nadegi (PV): não votou.

Manifestações de vereadores

Na sessão, antes da votação, o presidente da Câmara concedeu a palavra ao autor do pedido, vereador Eduardo Moura, e ao líder do governo na casa, Samuel Salazar (MDB). Cada um teve dez minutos para falar sobre o pedido.

No Plenário, Moura falou sob protestos de pessoas que estavam na galeria. Disse que o pedido tinha 480 páginas e chamou de “canetada” a mudança no resultado do concurso, que motivou o requerimento.

“O que o prefeito João Campos fez foi passar na frente de um PCD outro candidato, que, por coincidência, é filho de um juiz que havia arquivado uma investigação de possível corrupção contra a prefeitura. […] O prefeito infringiu leis federais, como o decreto 201/1947; ele infringiu a lei de improbidade administrativa; ele infringiu a Lei Orgânica da cidade. Mas, mais que os códigos, parágrafos e incisos, o prefeito infringiu o direito de cada cidadão de mudar de vida”, declarou.

Em seguida, foi a Plenário Samuel Salazar, que classificou o pedido de impeachment como “completamente vazio”, disse que as denúncias são “meras ilações”, e afirmou que João Campos somente assinou uma portaria.

“Nós temos aqui uma disputa entre dois candidatos PCD. Um que fez a inscrição desde o início e que ficou na posição 102 na ampla concorrência, e o outro, PCD autista que só conseguiu essa comprovação no ano de 2025, ficou na posição 63. Ele sempre esteve à frente, mas com a qualificação de ampla concorrência. […] O ato do prefeito, ao nomear um servidor, é apenas o de assinar uma portaria que chega pronta para ele. Tem uma série de outros atos administrativos ocorridos dentro da prefeitura que o prefeito não tem qualquer ingerência”, disse.

Pedido de impeachment

O pedido de impeachment foi justificado pela mudança do resultado de um concurso público para procurador do município. Na seleção, o advogado Marko Venício dos Santos Batista havia sido o único aprovado nas vagas para pessoas com deficiência (PCD).

Ele deixou de ser nomeado em detrimento de Lucas Vieira Silva, filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas (MPCO) e do juiz Rildo Vieira da Silva, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

Lucas Vieira Silva havia feito a seleção sem optar pelas vagas afirmativas, mas pediu reinscrição no concurso após receber, dois anos depois da inscrição, diagnóstico de autismo. Três procuradoras concursadas opinaram pelo indeferimento do pedido.

Mesmo assim, o requerimento foi acolhido pelo procurador-geral do município, Pedro Pontes, que ocupa o cargo por nomeação do prefeito.

Após a repercussão do caso, que foi alvo de críticas da sociedade e de entidades como a Associação Nacional das Procuradoras e dos Procuradores Municipais (ANPM) e a Associação dos Procuradores do Município do Recife (APMR), João Campos voltou atrás e nomeou o candidato inicialmente aprovado no certame. Posteriormente, o político tornou-se alvo do pedido de impeachment.

No requerimento, o vereador Eduardo Moura (Novo) afirmava que, ao alterar o resultado do concurso, o prefeito João Campos cometeu crime de responsabilidade e atos de improbidade administrativa.

Se o pedido for aceito, as irregularidades serão investigadas no âmbito legislativo, e, nesse ínterim, o gestor deve ser afastado de suas funções.

Além disso, o pedido de impeachment cita que o pai do candidato beneficiado pela mudança, juiz Rildo Vieira da Silva, atuava na 1ª Vara Cível de Carpina e foi promovido em outubro de 2025 para atuar na Vara Regional de Crimes Contra a Administração Pública, Ordem Tributária, Lavagem de Dinheiro e de Delitos de Organizações Criminosas da Capital.

Após a promoção, conforme o pedido de impeachment, ele foi responsável por arquivar um processo referente à Operação Barriga de Aluguel, que investigava uma quadrilha suspeita de desviar recursos públicos que deveriam ser empregados em recuperação e manutenção predial. Os contratos somam mais de R$ 100 milhões.

 G1
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