quinta-feira, maio 14, 2026
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Com impacto de R$ 64 milhões, reajuste da educação abre nova frente de negociação em Goiânia

Em entrevista ao Jornal Opção, a vereadora Ludmylla Morais (PT) confirmou que participa das negociações com a administração municipal para a valorização da categoria. Segundo ela, o foco do Paço é encerrar a greve.

De acordo com a parlamentar, o prefeito em exercício, Anselmo Pereira (MDB), e a secretária de Governo, Sabrina Garcez, procuraram a vereadora na última segunda-feira, 11. A conversa foi pautada na apresentação do projeto de lei assinado por Anselmo, que reajusta o piso do magistério em 5,4%, conforme previsto pelo Ministério da Educação (MEC).

A expectativa do Paço é abrir espaço para negociações com a classe, com o objetivo de encerrar a greve, que já dura três dias e mobiliza parte dos servidores.

Com isso, uma nova rodada de reuniões deve ser agendada para discutir as principais demandas dos profissionais da educação. Entre os pontos centrais está o plano de carreira dos administrativos, que ficou fora do projeto apresentado por Anselmo.

A próxima reunião, segundo Ludmylla, deve ocorrer na sexta-feira, 15, para aprofundar as discussões. A secretária municipal de Educação, Giselle Faria, também participará do encontro. “Ficamos de nos reunir mais uma vez, provavelmente na sexta-feira, porque ele [Anselmo] iria fazer o levantamento dos impactos financeiros e me avisar”, afirmou a parlamentar.

“Sendo assim, poderemos sentar mais uma vez e tentar construir um caminho à frente, porque ninguém quer a greve.”

Entre as principais reivindicações da categoria estão a criação do plano de carreira dos administrativos da educação, o pagamento de progressões atrasadas há dois ou três anos, além do descongelamento de um período de um ano e sete meses na vida funcional dos servidores, que ainda não foi negociado. Também estão na pauta melhorias nas condições de trabalho e na saúde dos profissionais, com redução da sobrecarga e aprimoramentos no IMAS, diante da precarização do serviço, que, segundo os servidores, tem levado trabalhadores a recorrerem ao SUS.

Além disso, a categoria critica o fato de o projeto prever pagamento retroativo apenas a partir de maio. “Um ponto de pauta crucial, que é direito da categoria, eram os retroativos desde janeiro. Contudo, o prefeito construiu o projeto de lei prevendo pagamento apenas a partir de maio”, relatou Ludmylla.

Projeção salarial

O texto apresentado pelo prefeito em exercício prevê reajuste de 5,4% sobre os vencimentos atuais do magistério e sobre gratificações concedidas pela administração, como Auxílio Locomoção, Gratificação de Regência de Classe e Gratificação por Atividades de Pesquisa e Capacitação.

O projeto busca atender a uma reivindicação antiga dos professores, em conformidade com a Portaria MEC nº 82, de 29 de janeiro de 2026, que atualizou o Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério para jornada de 40 horas semanais.

Segundo a proposta, o impacto financeiro estimado é de R$ 64,9 milhões aos cofres públicos, com acréscimo mensal de R$ 7.214.530,63 na folha de pagamento de 11.114 servidores. Os pagamentos deverão ser custeados parcialmente pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e pelo Tesouro Municipal.

De acordo com a Secretaria da Fazenda, o reajuste representa aumento de 0,74% no índice de despesas com pessoal em 2026, levando a prefeitura a atingir 49,72% da Receita Corrente Líquida (RCL).

O percentual ultrapassa o Limite de Alerta, fixado em 48,60%, o que pode gerar alerta do Tribunal de Contas. Ainda assim, permanece abaixo do Limite Prudencial, de 51,30%, evitando as restrições automáticas previstas pela Lei de Responsabilidade Fiscal para concessão de novos aumentos.

jornal Opção

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