sexta-feira, setembro 18, 2026
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Médica é condenada por falsos diagnósticos de câncer para cobrar por procedimentos desnecessários

A médica Carolina Fernandes Biscaia, de Pato Branco, no sudoeste do Paraná, foi condenada a 11 anos e 8 meses de prisão em regime fechado por emitir laudos falsos de câncer de pele e realizar procedimentos desnecessários em pacientes. Ela poderá recorrer em liberdade.

Carolina começou a ser investigada em março de 2024, quando pacientes suspeitaram de procedimentos cirúrgicos solicitados por ela. Leia mais a seguir.

A médica foi condenada pelo crime de exercício ilegal de atividade profissional, – uma vez que se apresentava como dermatologista, mas não tinha a especialização – 21 crimes de lesão corporal e 32 crimes de estelionato.

A defesa da médica afirmou que a decisão de primeiro grau reconheceu parcialmente os pedidos e disse que irá recorrer da decisão.

Situação regular no CRM

Registros da médica Carolina Fernandes Biscaia no CFM constam como "regular" — Foto: Reprodução

Registros da médica Carolina Fernandes Biscaia no CFM constam como “regular” — Foto: Reprodução

g1 questionou ao Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) se a médica é alvo de algum processo administrativo que apura a conduta dela ou se está, de alguma forma, impedida de exercer a profissão.

Em nota, o órgão não respondeu às perguntas e afirmou que “sindicâncias e os processos ético-profissionais tramitam em sigilo processual”.

“Caso seja identificada alguma irregularidade e comprovada a violação da ética profissional, as sanções podem variar de advertência à cassação do exercício profissional”, afirmou o CRM-PR.

Em março de 2024, o CRM-PR puniu a médica com a chamada “censura pública” por anunciar ter especialidades que não possui. Em maio daquele ano, uma Interdição Cautelar Total de 180 dias foi determinada pelo CRM-PR e aprovada pelo Conselho Federal de Medicina, e impedia a médica de exercer a profissão.

Em consulta ao site do conselho, não são encontradas especialidades atribuídas à Biscaia. Nas redes sociais, a médica afirmava ser dermatologista.

‘Forte pressão psicológica’

As investigações conduzidas pela Polícia Civil apontaram que a médica agia sozinha e fazia uma “forte pressão psicológica” para que os procedimentos fossem feitos dentro do consultório, logo após ela dar os falsos diagnósticos.

As investigações identificaram que a médica examinava pintas e manchas dos pacientes e afirmava que algumas poderiam ser cancerígenas. Ela, então, fazia retirada de material e encaminhava para laboratório.

Na reconsulta, ela apresentava ao paciente um laudo falso com diagnóstico de câncer de pele. Segundo as investigações, a perícia em exames que estavam no consultório, bem como entregues pela médica a pacientes, mostrou que a falsificação era feita com máquina de xerox, no próprio consultório.

Além disso, a investigação apurou que documentos falsos eram colocados sobre os verdadeiros e, com a ajuda do equipamento, eram criadas novas versões de laudos.

Médica comemorou retirada de falso melanoma em áudio

 

Um áudio que compôs as investigações mostra o momento em que a médica comemorou a retirada de um falso melanoma – tipo de câncer de pele mais agressivo – de uma paciente.

A conversa foi gravada pela vítima em janeiro de 2024. Ouça o áudio:

Médica suspeita de emitir laudos falsos de câncer de pele comemora retirada de melanoma
Médica suspeita de emitir laudos falsos de câncer de pele comemora retirada de melanoma

“Não sei se você é católica ou não, mas passa na igreja, agradece a Deus. Tem coisas assim que a gente tem que agradecer, sabe? Tem que agradecer, porque, como eu disse, a chance de pegar assim (melanoma), nesse estágio em que a gente só amplia a margem e está curada, é uma dádiva […]. Não precisa se preocupar com metástase”, afirmou a médica.

A vítima contou que descobriu o falso diagnóstico após encontrar inconsistências no laudo apresentado por Carolina, comparando com o documento retirado por ela diretamente no laboratório.

Depois da descoberta, a gravação passou a ser prova para investigação.

A pedido da médica, ela passou pelo procedimento chamado de ampliação de margens. No caso dela, a falsa doença foi identificada na perna esquerda. A vítima gastou mais de R$ 5 mil e leva uma cicatriz desnecessária na perna.

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