A empresária Karina Ferreira da Gama relatou a aliados ter sofrido pressão para delatar o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo interlocutores, ela foi abordada por pelo menos quatro pessoas ligadas ao governo Lula, sugerindo que, se ela não delatasse Flávio, seria presa.
Karina foi orientada a registrar os contatos que teve em cartório. Esse documento, segundo fontes, foi encontrado pela PF (Polícia Federal) nas buscas ocorridas hoje.
No relato, ela diz que um dos que a procuraram foi Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney. À CNN, ele negou o contato. Outro que teria procurado Karina, segundo ele, teria sido um religioso que seria próximo ao Palácio do Planalto.
A dona da Go Up relata, mais uma vez, ter recusado a possibilidade. Segundo ela, não havia motivo para uma colaboração porque os projetos empresariais e a produção do filme ocorreram dentro da legalidade.
Dias depois, em 3 de setembro, ela conta ter recebido uma nova ligação, desta vez do jornalista Breno Pires, da revista Piauí. Segundo a empresária, o jornalista já havia feito questionamentos sobre uma possível delação e, nessa conversa, afirmou que ela estaria “servindo de bucha de canhão para o candidato”.
O documento do cartório explica que Karina decidiu registrar o episódio porque, segundo ela, o contato ganhou outro peso quando considerado junto à ligação recebida em 27 de agosto. A empresária afirma ter ficado preocupada com a possibilidade de sofrer pressão ou interferência política em sua situação.
No documento, Karina também registra sua posição diante das investigações. Ela diz que não pretende fugir, esconder documentos, destruir provas ou interferir no andamento do caso. Ao contrário, diz que continuará apresentando documentos e prestando esclarecimentos às autoridades.
A declaração termina com uma ressalva: Karina afirma não pretender acusar nenhuma autoridade ou pessoa de cometer ilícitos sem provas. O objetivo, segundo ela, é deixar registrados os contatos, as datas e o conteúdo do que teria sido dito a ela antes de qualquer eventual medida que possa atingir sua liberdade.
Jovem Pan
