Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) continuam trabalhando no desenvolvimento da Calixcoca, uma vacina terapêutica experimental criada para auxiliar no tratamento da dependência de cocaína e crack.
A tecnologia utiliza uma estratégia diferente dos tratamentos convencionais. A proposta é estimular o organismo a produzir anticorpos capazes de se ligar à cocaína presente na corrente sanguínea. Com a ligação, forma-se um complexo maior, dificultando a passagem da substância pela barreira hematoencefálica e reduzindo a quantidade de cocaína que chega ao cérebro.
O QUE JÁ FOI TESTADO?
Nos estudos pré-clínicos realizados em animais, a Calixcoca provocou a produção de anticorpos contra a cocaína e demonstrou capacidade de reduzir a passagem da substância para o sistema nervoso central.
Esses resultados são considerados relevantes para o desenvolvimento da tecnologia, mas não permitem concluir que a vacina seja segura ou eficaz em seres humanos. A avaliação em humanos é necessária justamente para determinar segurança, possíveis efeitos adversos, dose e eventual eficácia.
A UFMG informa que os estudos pré-clínicos foram concluídos e que o projeto precisa avançar pelas etapas regulatórias antes do início dos testes clínicos.
R$ 18,8 MILHÕES EM INVESTIMENTOS
Em agosto de 2025, a UFMG, o Governo de Minas Gerais e a Fapemig anunciaram investimentos de aproximadamente R$ 18,8 milhões para a continuidade do projeto e preparação da etapa de testes em humanos.
Na mesma ocasião, foram anunciadas patentes concedidas no Brasil e nos Estados Unidos, tendo a UFMG e a Fapemig como cotitulares.
E OS TESTES EM HUMANOS?
Uma atualização publicada pelo Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos (ReBEC) em agosto de 2026 informa que a Calixcoca avança em direção aos estudos em humanos, mas ainda permanece como produto experimental.
Antes do início dos testes clínicos, são necessárias avaliações adicionais e a produção de evidências em condições que atendam aos requisitos regulatórios. De acordo com a atualização registrada pelo ReBEC, a primeira fase dos estudos, quando autorizada, terá como objetivo principal avaliar a segurança da tecnologia em seres humanos e possíveis efeitos adversos.
COMO A VACINA FUNCIONARIA?
A estratégia é fazer com que os anticorpos produzidos pelo organismo se liguem à cocaína antes que a substância alcance o cérebro.
A expectativa dos pesquisadores é que essa abordagem possa futuramente atuar como ferramenta complementar no tratamento da dependência, caso sua segurança e eficácia sejam comprovadas nos estudos clínicos.
Os próprios pesquisadores ressaltam que ainda será necessário determinar, em seres humanos, questões como dose, efeitos e segurança.
IMPORTANTE
A Calixcoca não é uma cura comprovada para a dependência química e não está disponível para pacientes.
Também não existem, até o momento, evidências clínicas que permitam afirmar em quais pacientes a tecnologia funcionaria ou qual seria sua efetividade.
Qualquer eventual utilização como tratamento dependerá dos resultados dos estudos em seres humanos e das demais etapas de avaliação e aprovação regulatória.
