quarta-feira, setembro 23, 2026
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Calixcoca, vacina experimental contra cocaína e crack avança para experimento em humanos

Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) continuam trabalhando no desenvolvimento da Calixcoca, uma vacina terapêutica experimental criada para auxiliar no tratamento da dependência de cocaína e crack.
A tecnologia utiliza uma estratégia diferente dos tratamentos convencionais. A proposta é estimular o organismo a produzir anticorpos capazes de se ligar à cocaína presente na corrente sanguínea. Com a ligação, forma-se um complexo maior, dificultando a passagem da substância pela barreira hematoencefálica e reduzindo a quantidade de cocaína que chega ao cérebro.
O QUE JÁ FOI TESTADO?
Nos estudos pré-clínicos realizados em animais, a Calixcoca provocou a produção de anticorpos contra a cocaína e demonstrou capacidade de reduzir a passagem da substância para o sistema nervoso central.
Esses resultados são considerados relevantes para o desenvolvimento da tecnologia, mas não permitem concluir que a vacina seja segura ou eficaz em seres humanos. A avaliação em humanos é necessária justamente para determinar segurança, possíveis efeitos adversos, dose e eventual eficácia.
A UFMG informa que os estudos pré-clínicos foram concluídos e que o projeto precisa avançar pelas etapas regulatórias antes do início dos testes clínicos.
R$ 18,8 MILHÕES EM INVESTIMENTOS
Em agosto de 2025, a UFMG, o Governo de Minas Gerais e a Fapemig anunciaram investimentos de aproximadamente R$ 18,8 milhões para a continuidade do projeto e preparação da etapa de testes em humanos.
Na mesma ocasião, foram anunciadas patentes concedidas no Brasil e nos Estados Unidos, tendo a UFMG e a Fapemig como cotitulares.
E OS TESTES EM HUMANOS?
Uma atualização publicada pelo Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos (ReBEC) em agosto de 2026 informa que a Calixcoca avança em direção aos estudos em humanos, mas ainda permanece como produto experimental.
Antes do início dos testes clínicos, são necessárias avaliações adicionais e a produção de evidências em condições que atendam aos requisitos regulatórios. De acordo com a atualização registrada pelo ReBEC, a primeira fase dos estudos, quando autorizada, terá como objetivo principal avaliar a segurança da tecnologia em seres humanos e possíveis efeitos adversos.
COMO A VACINA FUNCIONARIA?
A estratégia é fazer com que os anticorpos produzidos pelo organismo se liguem à cocaína antes que a substância alcance o cérebro.
A expectativa dos pesquisadores é que essa abordagem possa futuramente atuar como ferramenta complementar no tratamento da dependência, caso sua segurança e eficácia sejam comprovadas nos estudos clínicos.
Os próprios pesquisadores ressaltam que ainda será necessário determinar, em seres humanos, questões como dose, efeitos e segurança.
IMPORTANTE
A Calixcoca não é uma cura comprovada para a dependência química e não está disponível para pacientes.
Também não existem, até o momento, evidências clínicas que permitam afirmar em quais pacientes a tecnologia funcionaria ou qual seria sua efetividade.
Qualquer eventual utilização como tratamento dependerá dos resultados dos estudos em seres humanos e das demais etapas de avaliação e aprovação regulatória.
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