Há rios que atravessam territórios. Outros atravessam também a história, a memória e a identidade de um povo. É sobre essa segunda dimensão que se debruça o jornalista, pesquisador e escritor Hélmiton Prateado, autor de “Araguaia, o Grande Rio”, obra que será apresentada a estudantes de seis escolas públicas de Goiás, entre os dias 15 e 27 de outubro de 2026, em Goiânia, Trindade, Senador Canedo, Itumbiara e Aparecida de Goiânia. Com patrocínio da Piracanjuba, produção executiva da Dias e Melo Assessoria Cultural, sob responsabilidade de Wellington Dias, e realização do Governo de Goiás, por meio do Programa Goyazes, da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás (Secult-GO), o projeto promove palestras gratuitas e distribuição de exemplares, aproximando estudantes e comunidades da história, da cultura e dos desafios ambientais de um dos mais importantes rios brasileiros.
A circulação começa no dia 15 de outubro, no CEPI Pré-Universitário, em Goiânia, às 9h30, e segue até o dia 27, quando chega ao Colégio Estadual Itagiba Laureano Dorneles, em Aparecida de Goiânia. A programação integra um conjunto de ações que já começou a levar a publicação a escolas e instituições goianas e que prevê, ainda, um evento de apresentação ao grande público no dia 5 de dezembro, em Goiânia.
Mais do que um registro geográfico, a publicação propõe uma viagem pelo universo humano e natural do Rio Araguaia. Ao percorrer suas margens, o autor lança o olhar sobre os modos de vida das populações ribeirinhas, as tradições que resistem ao tempo, as comunidades indígenas, as vilas de pescadores e a relação entre os habitantes e as águas que sustentam sua existência.
A obra combina narrativa jornalística e documentação fotográfica para apresentar um rio que, além de sua importância ambiental, ocupa lugar singular na formação cultural do Centro-Oeste e de outras regiões brasileiras. Ao mesmo tempo, convida o leitor a refletir sobre as transformações provocadas pela presença humana e os desafios impostos à preservação de um dos mais importantes patrimônios naturais do país e do estado de Goiás.
Uma viagem pelas águas e pela memória
Com mais de 2.110 quilômetros de extensão, o Araguaia nasce na região de Mineiros, em Goiás, e segue até encontrar o Rio Tocantins, no Pará. Em seu percurso, desenha paisagens, estabelece fronteiras, alimenta ecossistemas e participa da construção de histórias coletivas.
Foi esse território de encontros que Hélmiton Prateado decidiu investigar. Sua pesquisa envolveu deslocamentos por terra e uma expedição fluvial entre Aruanã, em Goiás, e Pau D’Arco, no Tocantins, em busca de registros das comunidades, cidades, aldeias e paisagens que compõem o universo do Grande Rio.
O interesse pelo Araguaia acompanha o jornalista há muitos anos, alimentado pela curiosidade sobre as paisagens e, sobretudo, sobre a maneira como as populações estabelecem vínculos com a natureza. A percepção de que faltavam publicações capazes de reunir informações e imagens sobre toda a extensão do rio foi decisiva para transformar esse fascínio em um projeto editorial.
“Sempre tive fascinação pelo Rio Araguaia, as belezas das suas margens e como as pessoas interagem com a natureza às suas margens”, conta Hélmiton. Ao aprofundar suas pesquisas, percebeu a carência de fontes que apresentassem, de maneira integrada, as características geográficas, a fauna, a flora e a presença humana ao longo do percurso. “Por isso me empenhei no projeto de percorrer todo o rio e mostrar imagens e textos sob a ótica jornalística o Araguaia e o povo de suas margens”, explica.
O resultado é uma obra que ultrapassa a contemplação da natureza. Nas páginas do livro, o Araguaia aparece como espaço de trabalho, convivência, pertencimento e transmissão de saberes. A pesca, os costumes locais, a diversidade da fauna e da flora e a presença das populações tradicionais ajudam a construir um retrato de um território marcado pela relação permanente entre o ser humano e o ambiente.
A proposta editorial não pretende esgotar a complexidade do rio nem assumir o caráter de um estudo científico. Seu propósito é aproximar o leitor desse universo por meio de uma linguagem acessível, sensível às experiências humanas e à diversidade cultural encontrada ao longo do percurso.
Nesse sentido, “Araguaia, o Grande Rio” também se apresenta como um exercício de preservação da memória. Afinal, registrar o cotidiano das comunidades ribeirinhas significa reconhecer que a história de um rio não está apenas em seus mapas, nascentes e afluentes, mas também nas pessoas que aprenderam a viver com ele.
Entre a beleza natural e os desafios da preservação
Se o Araguaia desperta fascínio por suas praias, águas, ilhas e paisagens, sua importância vai muito além do potencial turístico. O rio integra um sistema ambiental de grande relevância e abriga uma diversidade de espécies e comunidades que dependem diretamente de seu equilíbrio ecológico.
É justamente essa relação entre natureza e sociedade que orienta parte das reflexões propostas pelo livro. Ao abordar questões como desmatamento, poluição e exploração predatória, a publicação chama atenção para as consequências das intervenções humanas sobre o ambiente e sobre os modos de vida tradicionais.
A perspectiva adotada pelo projeto considera que preservar o Araguaia significa também proteger manifestações culturais, conhecimentos transmitidos entre gerações e formas de existência profundamente vinculadas ao território.
Para Hélmiton, a aproximação das novas gerações com essa realidade é fundamental. O escritor destaca que a obra se dirige especialmente aos jovens, para que, ao conhecerem o rio, possam se envolver em sua defesa. Ao mesmo tempo, busca oferecer à população informações sobre aspectos do Araguaia que, segundo ele, permaneceram desconhecidos durante séculos.
Assim, a publicação estabelece uma aproximação entre educação ambiental e identidade cultural, defendendo a compreensão do rio como um patrimônio coletivo cuja conservação interessa não apenas às populações que vivem em suas margens, mas à sociedade brasileira.
Das páginas do livro às salas de aula
A publicação é apenas uma das etapas do projeto. Com o objetivo de ampliar o acesso ao conhecimento produzido, “Araguaia, o Grande Rio” promove uma circulação educativa por escolas públicas de cinco municípios goianos, com palestras e distribuição gratuita de exemplares.
A programação começa no dia 15 de outubro, no CEPI Pré-Universitário, em Goiânia. Em seguida, o projeto visita o Colégio Estadual Dom Prudêncio, em Trindade (20/10); o Colégio Estadual João Carneiro, em Senador Canedo (22/10); e o CEPI Dom Veloso, em Itumbiara (23/10). As duas últimas atividades acontecem em Aparecida de Goiânia, no Colégio Estadual Joaquim Ricardo (26/10) e no Colégio Estadual Itagiba Laureano Dorneles (27/10).
Durante os encontros, Hélmiton Prateado compartilha experiências da pesquisa que deu origem ao livro e apresenta registros fotográficos, relatos e informações sobre a geografia, a biodiversidade e os modos de vida das populações ribeirinhas. Entre os assuntos abordados estão as nascentes do Araguaia, suas cidades e vilas, os afluentes, os atrativos turísticos pouco conhecidos, a cultura do povo Karajá e a Ilha do Bananal.
“Vamos falar sobre a nascente, as cidades, as vilas, os afluentes, os pontos turísticos desconhecidos, a cultura ribeirinha, a etnia Karajá, a Ilha do Bananal. E frisar sobre a importância do empenho na preservação”, adianta o autor.
O projeto já registrou momentos importantes de aproximação com a educação pública goiana. Um deles foi a chegada da primeira remessa de livros impressos, recebida pelo autor e seguida da entrega de exemplares à secretária de Estado da Educação de Goiás, Helena da Costa Bezerra. O encontro simbolizou o compromisso de levar o conhecimento produzido pela pesquisa para o ambiente escolar.
Em 21 de setembro, o escritor também se reuniu com professores do Núcleo de Produção de Material Didático, da Diretoria Pedagógica da Secretaria Estadual de Educação. Durante o encontro, apresentou a obra e discutiu possibilidades de utilização de seus textos e fotografias em materiais educacionais. A reunião abriu espaço, ainda, para sugestões de temas que poderão integrar futuras edições revistas do livro.
Outra atividade já realizada aconteceu no Colégio Estadual da Polícia Militar de Goiás (CEPMG) Dr. Negreiros, em Nerópolis, onde estudantes e professores participaram de uma palestra de apresentação da publicação. O encontro marcou uma das primeiras experiências de contato direto entre o projeto e o público escolar.
Além das palestras, estão previstas doações de exemplares a bibliotecas públicas, escolares e comunitárias, de modo a permitir que o conteúdo permaneça acessível após a realização das atividades.
A iniciativa também incorpora recursos de acessibilidade, incluindo a presença de intérprete de Libras, materiais audiovisuais e medidas para facilitar o acesso de leitores com baixa visão. O intérprete Artur Moraes integra a equipe responsável pelas ações.
A proposta é transformar a experiência de leitura em uma oportunidade de diálogo, especialmente com as novas gerações, sobre o patrimônio natural e cultural brasileiro.
O olhar de um jornalista sobre o território
À frente da pesquisa e da autoria de “Araguaia, o Grande Rio”, Hélmiton Kéeller Borges Prateado reúne uma trajetória profissional ligada ao jornalismo, à comunicação e à produção editorial.
Bacharel em Direito pela Universidade Federal de Goiás (UFG), atuou como repórter, editor de Política e editor executivo. Entre suas experiências profissionais estão passagens pelo jornal Diário da Manhã e pela direção de Comunicação de instituições públicas goianas.
Sua trajetória também é marcada por reconhecimentos, como o título de Cidadão Goianiense, concedido pela Câmara Municipal de Goiânia em 2013, e a Medalha do Mérito Legislativo Pedro Ludovico Teixeira, recebida em 2009.
Na produção literária, publicou “Um Homem Chamado Bondade”, lançado pela Editora Kelps em 2018, além de trabalhos ligados à escrita e à edição.
Em “Araguaia, o Grande Rio”, essa experiência jornalística se traduz em uma investigação que privilegia a observação direta, a documentação dos lugares e o interesse pelas histórias de quem habita o território.
O autor parte de uma premissa que atravessa toda a proposta editorial: compreender o Araguaia exige olhar não apenas para suas águas, mas também para a vida que se organiza em torno delas.
Cultura, inclusão e democratização do conhecimento
Como parte das ações de contrapartida social, o projeto prevê uma apresentação teatral gratuita destinada ao público atendido pelo Centro de Orientação, Reabilitação e Assistência ao Encefalopata (CORAE), em Goiânia.
A atividade contará com o espetáculo “O Incrível Sonho de Pepe”, do Manovisky Grupo de Teatro, de Aparecida de Goiânia. A apresentação integra o compromisso de democratização cultural, ampliando as oportunidades de acesso às artes cênicas.
A iniciativa associa literatura, teatro, educação e inclusão, reforçando a compreensão de que o investimento em cultura pode produzir resultados que ultrapassam a realização de uma obra artística ou editorial.
Para Hélmiton, os mecanismos de incentivo são decisivos para que pesquisas e projetos culturais possam alcançar a população. Ele destaca a importância da participação do poder público e da iniciativa privada na viabilização de trabalhos dessa natureza.
“O Governo de Goiás tem um comprometimento muito importante com o fomento à cultura, através de programas como a Lei Goyazes e isso facilita a atividade de pesquisadores, escritores e artistas para fazer a cultura circular entre a população”, afirma.
O escritor também celebra a articulação entre os diferentes setores envolvidos na iniciativa. “É com grande alegria que participamos dessa iniciativa de integração do Poder Público, iniciativa privada e agentes da cultura para disseminar a cultura e crescimento para nossa gente.”
Ao reunir pesquisa, fotografia, memória e ações formativas, “Araguaia, o Grande Rio” propõe uma maneira de reconhecer a importância de um território que permanece vivo tanto na paisagem quanto no imaginário brasileiro.
Porque, para além de sua extensão geográfica, o Araguaia carrega uma dimensão que não se mede em quilômetros: a das histórias, dos saberes e das vidas que continuam a correr com suas águas.
Serviço: Projeto: Livro – Araguaia, o Grande Rio, de Hélmiton Prateado
Circulação educativa: 14 a 27 de outubro de 2026
- 15/10 – Goiânia: CEPI Pré-Universitário – 9h30
- 20/10 – Trindade: Colégio Estadual Dom Prudêncio
- 22/10 – Senador Canedo: Colégio Estadual João Carneiro
- 23/10 – Itumbiara: CEPI Dom Veloso
- 26/10 – Aparecida de Goiânia: Colégio Estadual Joaquim Ricardo
- 27/10 – Aparecida de Goiânia: Colégio Estadual Itagiba Laureano Dorneles
Apresentação ao grande público:
- 5 de dezembro de 2026, em Goiânia (local e horário a confirmar)
Contrapartida social:
- Espetáculo “O Incrível Sonho de Pepe”, do Manovisky Grupo de Teatro, no CORAE, em Goiânia (data a confirmar)
Mais informações: https://www.instagram.com/livroaraguaiaogranderio/
