A polícia prendeu na quarta-feira (30) o procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, dois dias após o governo dos Estados Unidos cancelar seu visto por supostos vínculos com o narcotráfico, informou à AFP uma fonte do governo boliviano.
“Está confirmada a detenção do procurador Mariaca”, declarou de forma sucinta uma fonte do Ministério de Governo (Interior), que preferiu não revelar a identidade. Também foi detido Alberto Zeballos, promotor de Santa Cruz, outro sancionado por Washington, segundo a imprensa local.
Ambos foram incluídos nesta semana em uma lista do Departamento de Estado americano de vários funcionários públicos e empresários da Bolívia, Colômbia e Equador, acusados de corrupção, vínculos com o narcotráfico ou de conspirar contra seus respectivos governos.
Após a detenção, a Procuradoria-Geral informou em um comunicado que, diante da “ausência definitiva” de Mariaca, Luis Montaño Morales assume o cargo de forma interina, “o procurador superior com maior antiguidade” dentro da instituição. Mariaca foi nomeado procurador pelo Congresso em outubro de 2024. Os congressistas devem votar para aprovar um novo nome.
As autoridades bolivianas não informaram os motivos da detenção, nem com base em qual ordem de captura atuaram na quarta-feira. Mariaca e Zeballos foram detidos no aeroporto de Viru Viru, na cidade de Santa Cruz, segundo a imprensa local.
Romel Ipamo, advogado de Mariaca, declarou que “vai colaborar com tudo”. “A única coisa que se pede é que se resguarde o devido processo”, afirmou, sem revelar com base em quais acusações ele foi preso.
O governo dos Estados Unidos afirmou no início da semana que Mariaca recebeu “subornos para facilitar o narcotráfico e ajudar criminosos violentos a escapar da justiça”.
O procurador-geral negou na segunda-feira as acusações e afirmou que a decisão de retirar seu visto é um ato de “interferência e pressão política” em consequência de suas investigações.
Detenção de narcotraficante uruguaio
Durante a gestão de Mariaca, a polícia da Bolívia capturou, em março, o narcotraficante uruguaio Sebastián Marset, que posteriormente foi expulso com apoio da DEA (agência americana de combate às drogas) para os Estados Unidos.
A imprensa local divulgou na quarta-feira um vídeo em que Marset aparece no dia de sua detenção, ao lado de policiais de elite em sua residência, supostamente afirmando: “Mariaca é meu amigo”. A AFP não conseguiu verificar a autenticidade do vídeo.
Seu gabinete também investiga, por tentativa de feminicídio, enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, entre outros supostos crimes, o consultor argentino Fernando Cerimedo, ex-assessor do presidente boliviano Rodrigo Paz, que colaborou com diversas campanhas de políticos de direita na América Latina.
A polícia também efetuou uma operação de busca e apreensão na quarta-feira nas instalações da sede central da Procuradoria em Sucre, no sul do país.
“Denunciamos diante de toda a população boliviana a intervenção que está sendo feita de maneira ilegal”, disse Claudia Pardo, diretora de Comunicação da Procuradoria, enquanto ela e vários de seus colegas estavam cercados por policiais encapuzados, segundo um vídeo publicado nas redes sociais. A Procuradoria de Santa Cruz (leste) também foi alvo de uma operação da polícia.
O governo de Paz busca estreitar laços com os Estados Unidos. Em março de 2026, aderiu ao Escudo das Américas, a aliança de governos de direita para combater o crime organizado transnacional, liderada pela administração de Donald Trump.
Fonte: AFP
