O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), admitiu a interlocutores ter viajado para Portugal em um jato de Daniel Vorcaro, a convite do senador Ciro Nogueira (PP-PI), e confirmou que o banqueiro pagou diárias de sua hospedagem em um hotel de luxo em Lisboa, conforme apontado pela Polícia Federal.
Nessa terça-feira (16), o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou o sigilo de documentos enviados pela Polícia Federal (PF) sobre o caso Vorcaro.
O relatório é parte do material produzido na Operação Compliance Zero, que investiga possíveis fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.
A informação de Motta, que Vorcaro teria bancado apenas duas diárias na capital do país europeu, no entanto, é diferente da obtida por investigadores da PF. No relatório, a corporação aponta que o banqueiro pagou por cinco dias de hospedagem, e a conta da fatura fala em sete.
Investigação da PF
O documento da Polícia Federal menciona conversas entre Vorcaro e um auxiliar em que o então banqueiro afirma que precisaria de dois quartos na cidade para “Ciro e Hugo”.
Ciro, no caso, é o senador Ciro Nogueira (PP-PI), segundo a PF, a quem Vorcaro daria – nas palavras dos investigadores – “tratamento privilegiado”, incluindo o pagamento de viagens internacionais, hospedagem e refeição em hotéis de luxo para o parlamentar.
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Vorcaro com Ciro Nogueira — Foto: Reprodução
Poucos dias depois das conversas sobre Lisboa, o auxiliar de Vorcaro informa que haveria duas suítes no hotel Four Seasons. Durante a conversa, o auxiliar pede que Vorcaro informe “a lista dos homens”, ao que o banqueiro respondeu com uma lista de nomes que incluía Ciro Nogueira e Hugo Motta.
Os investigadores destacam que, na mesma conversa, Vorcaro enviou um áudio ao auxiliar pedindo cuidado com a privacidade e segurança.
