quinta-feira, outubro 1, 2026
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CV e PCC: telegramas da Embaixada brasileira nos EUA são colocados em sigilo de até 15 anos

Ao menos três telegramas da Embaixada brasileira em Washington acerca
da designação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando
Vermelho (CV) como terroristas pelos Estados Unidos foram colocados em
sigilo por até quinze anos, segundo informações disponibilizadas por meio da Lei
de Acesso à Informação (LAI).

O documento com maior prazo de sigilo – até 2041 – tem como assunto “EUA.
Classificação de grupos terroristas” e a embaixadora brasileira nos Estados
Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, aparece como autoridade classificadora. A
legislação brasileira prevê três níveis para sigilo em documentos: ultrassecreto (25
anos), secreto (quinze anos) e reservado (cinco anos).

Por fim, o terceiro documento é sobre uma mesa redonda no Inter American
Dialogue para tratar da cooperação bilateral entre Brasil e Estados Unidos. De
acordo com o site oficial do evento, o encontro privado e em “caráter confidencial”
reuniu pesquisadores e profissionais que debateram as principais questões que
moldam a cooperação entre os dois países sobre segurança pública. O foco do
encontro centrou-se na relação entre repressão e prevenção.
No final de maio deste ano, a gestão Trump designou o PCC e o CV como
organizações terroristas. O governo Lula se colocou contra a mudança e afirmou à
época que isso poderia se tornar motivo para intervenção militar em território
brasileiro.

Nesta semana, o presidente americano relatou ao Congresso local que o Brasil
falhou no combate às facções criminosas e que o país precisa de medidas mais
duras para o combate ao crime.
Por outro lado, o governo petista conseguiu aprovar na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) do Senado a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da
Segurança Pública. O projeto ainda precisa ser votado no plenário da Casa. Entre
as principais mudanças, a PEC da Segurança Pública acrescenta à Constituição
Federal o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que permite integração
entre os entes (União, Estados, DF e Municípios) para atuação no combate ao
crime organizado, como PCC e CV.

O sistema contará com compartilhamento de informações entre os federados e
provas. A PEC ainda prevê prisão obrigatória em presídio de segurança máxima
para integrantes de facção criminosa, restrição ao regime de progressão e a proteção aos denunciantes e familiares que atuam no combate ao crime em suas
regiões.

Revista VEJA

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