terça-feira, julho 28, 2026
InícioBRASILDesenrola ajuda, mas não causa queda significativa no endividamento

Desenrola ajuda, mas não causa queda significativa no endividamento

O programa Desenrola 2.0 já movimentou R$ 44,7 bilhões em crédito em menos de três meses em vigor, segundo dados do Ministério da Fazenda. Os números indicam ritmo de negociações mais acelerado que o da primeira edição.

O montante corresponde a mais de 80% dos R$ 53 bilhões renegociados ao longo de 10 meses na versão anterior, entre julho de 2023 e maio de 2024. No entanto, apesar do alcance, os dados mais recentes de endividamento indicam que os efeitos do programa ainda não refletiram de forma significativa na população. 

Em junho, 81,6% das famílias brasileiras estavam endividadas, mesmo percentual de maio, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), enquanto 29,9% tinham contas em atraso.

Além disso, de acordo com o Serasa, no mês passado o país atingiu 83,7 milhões de negativados, o maior número da série histórica, após 18 meses consecutivos de alta.

Segundo a CNC, o cartão de crédito permanece como a principal modalidade de endividamento das famílias, citado por 84,7% dos consumidores, bem acima do carnê de loja (16%) e do crédito pessoal (13,2%).

A pesquisa do Serasa confirma o dado e aponta que 27,2% das dívidas estão relacionadas a bancos e cartões de crédito, enquanto 21,3% correspondem a contas básicas e 19,6% são dívidas financeiras.

Desenrola 2.0

O Desenrola 2.0 foi lançado em maio, em um contexto de endividamento recorde das famílias. Os dados recentes indicam que ainda há um intervalo entre a renegociação das dívidas e a melhora efetiva dos indicadores.

Assim, embora o programa tenha apresentado forte volume inicial e descontos relevantes, os dados disponíveis até o momento mostram que a inadimplência segue em patamar elevado no país.

O programa tem o objetivo de facilitar a regularização de débitos por meio de descontos, prazos mais longos e melhores condições de pagamento, em um cenário de endividamento recorde das famílias brasileiras.

Diferentemente da primeira edição, o Desenrola 2.0 passou a contemplar não apenas pessoas físicas, mas também micro, pequenas e médias empresas, por meio de linhas como o Pronampe e o Procred.

O programa reúne bancos e instituições financeiras para renegociar dívidas em atraso, além de prever o uso de garantias, como recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), para viabilizar crédito com juros mais baixos.

Segundo o governo, a expectativa é reduzir a inadimplência e estimular o consumo e a atividade econômica, embora os efeitos sobre os indicadores de endividamento possam aparecer de forma gradual ao longo do tempo.

Além dos R$ 44,7 bilhões em crédito, entre as famílias, foram registradas aproximadamente 3,5 milhões operações, com volume original de R$ 20,9 bilhões – que caiu para R$ 3,7 bilhões após as renegociações.

No segmento empresarial, o programa também avançou por meio de linhas como o Pronampe, que somou R$ 21,7 bilhões em crédito, e o Procred, com R$ 1,5 bilhão.

Já as operações com garantia do FGTS totalizaram 97 mil contratos, somando R$ 55,5 milhões.

Quem pode participar do programa

  • Pessoas físicas com renda mensal de até 5 salários mínimos podem aderir ao programa;
  • Consumidores com dívidas de cartão de crédito, cheque especial ou crédito pessoal estão incluídos no escopo da medida;
  • Os débitos precisam ter sido contratados até 31 de janeiro de 2026 e devem estar em atraso entre 91 dias e até 2 anos;
  • O programa tem previsão de duração de 90 dias a partir de 4 de maio, data em que a medida provisória (MP) sobre o tema foi publicada, com condições como descontos de até 90%, juros de até 1,99% ao mês e parcelamento em até 48 meses.

Banco Central alerta para alta no endividamento

O Banco Central (BC) tem alertado para o nível historicamente elevado do endividamento das famílias brasileiras, que segue em trajetória de alta. Em nota do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), divulgada no começo de julho, a autoridade monetária afirmou que o comprometimento de renda com dívidas permanece elevado, com destaque para o avanço das modalidades de crédito mais caras, como o cartão de crédito.

Segundo o BC, o cenário combina aumento do endividamento com deterioração dos indicadores de inadimplência, o que acende sinal de atenção para a capacidade de pagamento das famílias.

A autoridade ressalta que o ambiente de juros ainda elevados e o uso intensivo de crédito rotativo contribuem para manter a pressão sobre o orçamento doméstico.

“O endividamento e o comprometimento de renda das famílias estão historicamente elevados e seguiram aumentando. O contínuo aumento da participação de modalidades mais onerosas na composição da dívida deve continuar impactando o comprometimento de renda”, diz em nota.

Metrópoles

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas