sexta-feira, setembro 18, 2026
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Em resposta a Fachin, PGR abre investigação para apurar se investigação de PF contra Moraes é ilegal

A Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu uma apuração para verificar se houve interferência externa na produção do relatório da Polícia Federal que reuniu informações sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A informação foi enviada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao presidente do STF, Edson Fachin, em resposta ao pedido de esclarecimentos sobre a produção do material.

O relatório foi produzido pela Polícia Federal a pedido do ministro André Mendonça, então relator do caso, e reuniu mensagens, encontros e outros elementos envolvendo Moraes e Vorcaro.

A decisão de Mendonça, de 24 de agosto, determinou que a PF apresentasse em 72 horas informações sobre a identificação de integrantes de uma suposta “rede de influência e monitoramento gerenciada por Daniel Bueno Vorcaro”, incluindo eventuais autoridades com foro no Supremo.

Na manifestação enviada a Fachin, Gonet afirmou que a Procuradoria-Geral da República não foi comunicada sobre a determinação de Mendonça que levou à produção do relatório.

“No trâmite analisado, não foi dado espaço à manifestação da Procuradoria-Geral da República. Ao revés, a decisão proferida nos autos da Petição n. 15.556/DF foi ocultada do Ministério Público”, afirmou.

Segundo Gonet, a falta de comunicação impediu a PGR de exercer o “necessário controle externo da atividade policial, etapa essencial a qualquer investigação”.

PGR quer saber se houve interferência externa

Diante dos questionamentos, Gonet determinou a abertura de um Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial para apurar as circunstâncias da produção do documento.

A Polícia Federal deverá explicar como o relatório foi elaborado e se houve participação externa capaz de influenciar seu conteúdo.

“Notifique-se a autoridade policial para esclarecer as circunstâncias em torno da confecção da IPJ-A n. 3298613/2026, notadamente quanto a possível ocorrência de ordem ou interferência externa em sua elaboração, que tenha maculado seu conteúdo”, escreveu Gonet.

A apuração foi aberta depois de Fachin pedir esclarecimentos sobre a condução do caso e, especificamente, sobre as medidas adotadas pela PGR para fiscalizar a atuação da Polícia Federal.

Depois da resposta da PF, o procedimento voltará ao procurador-geral para nova análise.

Entenda o pedido de Moraes

Ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF)
Ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF)

Ao enviar o material a Edson Fachin, Alexandre de Moraes afirmou que os relatórios reunidos pela Polícia Federal (PF) apontam “fortes indícios” de improbidade administrativaabuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de André Mendonça nas operações Sem Desconto e Compliance Zero.

A principal acusação é de que Mendonça teria ultrapassado os limites da supervisão judicial e avançado sobre atribuições próprias da PF. Um dos relatórios afirma que o ministro recebeu dados brutos das investigações antes da triagem e da análise dos próprios policiais, situação que, segundo o documento, poderia transformar o magistrado em investigador.

Os documentos também apontam que Mendonça teria defendido que análises produzidas por servidores da PF fossem encaminhadas sem revisão dos delegados responsáveis e teria interferido na composição de equipes, no fluxo interno de informações e no tratamento de provas.

Empresário, Maurício Camisotti foi apontado por parlamentares da CPMI do INSS como um dos envolvidos no esquema de descontos ilegais sobre aposentadorias e pensões. Segundo a comissão, empresas ligadas à família Camisotti receberam cerca de R$ 350 milhões de três entidades investigadas no caso.

O filho de Maurício, Paulo Camisotti, também é citado como parte da estrutura empresarial da família e compareceu à CPMI como testemunha.

Moraes também citou suposto direcionamento de investigações por motivos pessoais e políticos. Segundo os documentos, Mendonça teria demonstrado interesse em avançar sobre o próprio Moraes e sobre o presidente do SenadoDavi Alcolumbre, além de adotar critérios diferentes para pessoas de espectros políticos distintos.

Os relatórios registram ainda que Mendonça teria questionado a confiança no diretor-geral da PFAndrei Rodrigues, e no procurador-geral da RepúblicaPaulo Gonet. Segundo o material, o ministro teria cogitado afastar Andrei e transformar Gonet em testemunha em procedimentos derivados das investigações.

Jovem Pan

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