Uma empresa está cobrando na Justiça o empresário Henrique Vorcaro (foto em destaque), pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, por supostamente dar calote em financiamento de jatinho avaliado em R$ 60 milhões.
O pai de Vorcaro foi preso no dia 14/5, na 6ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que investiga fraude bilionária contra o sistema financeiro, além dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Ele está em penitenciária situada em Contagem (MG).

O processo judicial foi movido pela empresa SFG Equipment Leasing Corporation contra Henrique Vorcaro e empresas da família, pela falta de pagamento de financiamento de um Dassault Falcon 2000EX, ano 2009. Trata-se de um avião executivo de médio porte, bimotor, com capacidade para transporte intercontinental.
O contrato de financiamento é internacional, mas ele corre na Justiça mineira. A empresa entrou com pedido de busca e apreensão da aeronave, que estaria estacionada no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte (BH). Por ora, o juiz responsável ainda não deferiu o pedido e limitou-se a dizer que a ação tramitava no foro errado.
O processo corre na Vara de Belo Horizonte, mas a empresa operadora do avião é sediada em Nova Lima, que fica a cerca de 20 quilômetros da capital mineira. De acordo com a consulta no site da Agência Nacional da Avião (Anac), o avião está em nome da SFG e é operada pela Hebron Participações, que tem o pai de Daniel Vorcaro como sócio.
O Metrópoles teve acesso a uma carta de intenções de compra da aeronave Dassault Falcon 2000 nos Estados Unidos, por US$ 12 milhões (cerca de R$ 60 milhões), assinada por Henrique Vorcaro em junho de 2021. O documento faz parte do processo de falência do Banco Master naquele país. A vendedora é a Southern Cross Aircraft LLC, localizada em Fort Lauderdale, na Flórida (EUA).
Henrique Vorcaro é suspeito de fazer operação financeira às vésperas da liquidação do Banco Master para esconder R$ 776,9 milhões. O pai do ex-banqueiro é empresário mineiro do setor de infraestrutura e construção, fundador do Grupo Multipar, conglomerado que atua em segmentos de engenharia, energia, agronegócio e setor imobiliário — a empresa também é alvo da ação movida pela SFG.
