As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 21 bilhões entre janeiro e julho de 2026, queda de 12,2% na comparação com o mesmo período do ano passado.
O recuo representa cerca de US$ 2,9 bilhões a menos em vendas e levou os embarques para o mercado americano ao menor nível para o período em três anos.
Os dados são do Monitor do Comércio Brasil Estados Unidos, elaborado pela Amcham Brasil com base em informações do Comexstat.
A queda foi ainda maior entre os produtos sujeitos às maiores sobretaxas, atualmente entre 25% e 37,5%. As exportações desses itens recuaram 31,5% no acumulado do ano, de US$ 4,6 bilhões para US$ 3,2 bilhões.
O tombo foi puxado principalmente pela madeira de coníferas, cujas vendas para os EUA desabaram 59,4% no período. A lista dos cinco itens mais atingidos traz ainda o sebo bovino, ovino ou caprino (-42,5%), os granitos trabalhados (-42,1%), o fumo não manufaturado (-37,7%) e as portas e caixilhos (-35,3%) — um retrato do baque sofrido pela indústria e pelo setor extrativo sob o peso do tarifaço americano.
“Os números mostram uma importante perda de dinamismo no comércio bilateral, com impacto mais intenso sobre os produtos sujeitos às tarifas mais elevadas. Enquanto persistir o atual cenário tarifário, a tendência é que as trocas entre os dois países continuem perdendo força, com prejuízos para ambas as economias”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
Exportações caem em julho
Somente em julho, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 3,6 bilhões, queda de 5% em relação ao mesmo mês de 2025.
O resultado interrompeu a recuperação registrada em junho, quando as vendas para o mercado americano haviam crescido pela primeira vez desde agosto do ano passado, período em que as tarifas mais elevadas começaram a ser aplicadas.
Entre os produtos sujeitos às maiores sobretaxas, a queda foi ainda mais forte em julho, de 25,7%.
Na direção contrária, os produtos alcançados pela Seção 232 tiveram crescimento de 21,5%, impulsionado principalmente pelas exportações de aço e alumínio.
Entre os produtos que registraram as maiores quedas no acumulado do ano estão sebo bovino, madeira compensada, portas, fumo, madeira de coníferas, granito, torneiras e sucos de frutas. Semimanufaturados de ferro e aço também tiveram retração.
Vendas aos EUA caem enquanto exportações ao mundo crescem
O desempenho das exportações para os Estados Unidos ficou abaixo do registrado pelo Brasil nos demais mercados.
