O Centro de Valorização da Mulher Consuelo Nasser (Cevam) atua em Goiânia há 45 anos no acolhimento de mulheres e famílias em situação de vulnerabilidade e vítimas de violência. A entidade é uma das instituições tradicionais mais atuantes na área e surgiu após o assassinato da cantora Eliane de Grammont pelo ex-marido, o cantor Lindomar Castilho.
Contudo, o funcionamento da unidade está ameaçado pela diminuição das doações recebidas. Em entrevista ao Jornal Opção, a presidente da instituição, Carla Monteiro, conta que o centro possuía um passivo de R$ 1,3 milhão quando ela assumiu a gestão, em meados de 2021. As dívidas incluem despesas de funcionamento e o pagamento de empréstimos contratados para a realização de melhorias na unidade.
Um desses passivos, referente ao parcelamento de um empréstimo de R$ 400 mil com a União, está em fase final de pagamento após uma renegociação junto à Caixa Econômica Federal. A previsão é que as últimas parcelas sejam quitadas em outubro. “Estamos há seis anos pagando esses débitos, e eles não são pequenos.”
Dos R$ 1,3 milhão devidos, 58% já foram pagos pela atual gestão do centro, enquanto os 42% restantes ainda precisam ser quitados. Carla ressalta, porém, que quase todos os recursos recebidos pela instituição são provenientes de doações, emendas parlamentares e parcerias.
Mesmo com a entrada desses valores, a presidente afirma que a entidade ainda enfrenta dificuldades com antigos credores, que acionam a Justiça para cobrar débitos anteriores. As ações resultam no bloqueio de valores depositados nas contas do Cevam e dificultam o pagamento de despesas básicas, como telefone e gás de cozinha.
“O programa nutricional do Estado, do qual participamos por meio de licitação, deposita R$ 1.800 na conta da entidade. Mas vêm esses credores e sequestram o nosso dinheiro”, revelou.
“Desde que as empresas entraram com esses pedidos, estou com dificuldade para pagar os nossos telefones. Reduzi para apenas uma linha.”
Em 2024, a situação chegou ao ponto de a presidente pedir que as doações em dinheiro fossem suspensas, diante do risco de bloqueio judicial dos recursos. O cenário só se estabilizou em meados de março de 2026, quando a unidade voltou a receber valores doados. Ao todo, a entidade enfrentou três processos que resultaram no bloqueio de dinheiro em suas contas.
Apesar dos contratempos, Carla afirma que o Cevam continuará funcionando para cumprir sua missão social de acolher mulheres em situação de violência e risco de morte. Além das pessoas abrigadas na instituição, o centro auxilia mensalmente 52 famílias com a entrega de cestas básicas, frutas e verduras.
A unidade possui 30 vagas destinadas às famílias acolhidas e capacidade estrutural para receber até 177 pessoas. A metodologia de atendimento, entretanto, passou por uma reformulação. O centro deixou de receber diretamente crianças e adolescentes desacompanhados para concentrar o trabalho em mulheres vítimas de violência e em risco de morte, que podem ser acolhidas com seus dependentes.
A instituição também mantém um bazar com a venda de roupas e outros materiais doados. Segundo Carla, os recursos arrecadados ajudam no pagamento de despesas menores, mas essenciais, como a compra de gás de cozinha e de medicamentos que não estão disponíveis na rede pública de saúde.
Enquanto isso, a gestão busca viabilizar quatro parcerias estratégicas para garantir a continuidade dos projetos. Uma delas já ocorre por meio do Banco de Alimentos da OVG/Ceasa, que fornece frutas e verduras para a instituição. Ainda assim, a quantidade recebida não é suficiente para atender toda a demanda.
Mesmo com as parcerias, o Cevam ainda depende majoritariamente de doações para manter o funcionamento. Segundo a presidente, a principal necessidade atual é de ajuda financeira. Diariamente, são oferecidas cinco refeições às famílias acolhidas. Somente no almoço, são consumidos cerca de 5 quilos de arroz e 2 quilos de feijão.
As pessoas interessadas em ajudar a instituição podem entrar em contato com o Cevam pelo telefone (62) 99144-5948.
Fonte: Jornal Opção
