quinta-feira, abril 23, 2026
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Jornal dos banqueiros, Estadão recebeu R$ 1,12 milhão do Master

O Estadão recebeu R$ 1,12 milhão diretamente do Banco Master. Procurado pelo Metrópoles, o jornal confirmou que cobrou os valores de Daniel Vorcaro em troca de divulgar publicidade institucional do banco, incluindo campanhas de captação de clientes e de abertura de conta.

Segundo o Estadão, o montante também incluiu o patrocínio da cobertura, pelo periódico, do GP Brasil de Fórmula 1, além da aquisição de mídia digital e da publicação de informe publicitário.

O valor, no entanto, não contempla outros projetos, como eventos patrocinados pelo Master.

Confira os valores e os serviços contratados:

  • R$ 200 mil em compra de mídia para campanha institucional;
  • R$ 25.894 em mídia para campanha de abertura de contas;
  • R$ 302.074 em patrocínio da cobertura do GP Brasil de Fórmula 1;
  • R$ 312.032 em mídia digital;
  • R$ 280 mil em informe publicitário.

Os contratos foram firmados entre 2021 e 2025. Vorcaro foi preso pela primeira vez em 2025, acusado de fraudar o sistema financeiro.

Em nota, a assessoria de imprensa do Estadão afirmou que os “valores são brutos, antes da comissão de agência, e refletem os montantes efetivamente negociados, não os preços de tabela”.

O comunicado também destaca que o jornal “não negocia a venda de mídia e patrocínios por valores incompatíveis com as práticas de mercado”.

Não é possível checar a veracidade dessa informação por se tratar de contratos privados. No caso do acordo comercial do jornal com o Master, as informações foram apuradas porque o banco está sob investigação da PF.

Vorcaro está preso em regime fechado desde janeiro, acusado de ameaçar testemunhas e críticos. O banqueiro tenta firmar um acordo de delação premiada para reduzir sua pena.

O jornal dos banqueiros

A comercialização de publicidade para o Master não é a única ligação entre o Estadão e o grupo de Vorcaro.

Como revelou o Metrópoles, o jornal contratou a gestora de Maurício Quadrado, sócio de Vorcaro no banco e na PrimeYou, para estruturar uma operação que captou recursos de grandes instituições financeiras e empresas privadas, com o objetivo de evitar a insolvência do veículo.

Itaú, Santander e Bradesco aportaram R$ 45 milhões no Estadão. Outras empresas também participaram da operação, com investimentos adicionais que somam R$ 142,5 milhões a partir de 2024.

A estrutura do acordo foi além de um simples empréstimo. Segundo o Metrópoles revelou, os investidores passaram a ter direito a três das seis cadeiras no conselho de administração, além de poder de veto em decisões estratégicas do Estadão.

Como o Estadão não tem um conselho editorial, decisões, inclusive sobre o conteúdo publicado, ficam sob responsabilidade do conselho de administração.

Um dos integrantes do grupo que financiou o Estadão no conselho de administração é Marcos Bologna, sócio e CEO da Galápagos. A gestora, fundada por Carlos Fonseca, ex-sócio de André Esteves no BTG, aportou R$ 7,5 milhões no jornal.

Quem faz parte do conselho de administração do Estadão

Pelo jornal:
Francisco de Mesquita Neto
Roberto Crissiuma Mesquita
Manoel Lemos

Pelos investidores:
Marcelo Pereira Malta de Araújo – ex-executivo do grupo Ultra
Marco Bologna – sócio da Galápagos
Tito Enrique da Silva Neto – ex-presidente do Banco ABC

Por meio de nota, o Itaú afirmou que “sua participação na emissão de debêntures do Grupo Estado, em 2024, faz parte de uma operação de reestruturação de dívida preexistente, conduzida em conjunto com outros bancos de grande porte”. A iniciativa visa a reorganização financeira da companhia, com valor total do Itaú de R$ 15 milhões. A operação é estritamente de crédito de mercado, contratada em condições usuais nesse tipo de contexto, e dentro dos parâmetros regulatórios. Vale ressaltar que, por sua natureza jurídica, a debênture bancária não confere ao Itaú qualquer poder administrativo, de gestão, participação em conselho ou influência sobre a linha editorial do veículo”, concluo o texto.

Metrópoles

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