A lobista Roberta Luchsinger, que se apresentava como sócia do filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, recebeu pelo menos R$ 5,9 milhões em pagamentos após intermediar a liberação de verbas federais para o Estado do Maranhão.
Em troca dos pagamentos, Luchsinger ajudou o governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), a destravar verbas para o estado no Ministério da Saúde e na Casa Civil. Uma das obras intermediadas por Luchsinger foi o prolongamento da Avenida Litorânea, em São Luís (MA) — a benfeitoria faz parte do Novo PAC e envolve um investimento total de R$ 235 milhões.
Em fevereiro deste ano, uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) detectou indícios de superfaturamento na primeira fase da obra, que é considerada a principal vitrine do governo de Brandão.
No Ministério da Saúde, as verbas destravadas por Luchsinger somam centenas de milhões de reais. No mesmo período em que intermediava a liberação dos recursos, Luchsinger presenteou o então secretário-executivo da pasta, Swedenberger Barbosa, com itens como um relógio Cartier de R$ 66 mil e um quadro de R$ 82,9 mil.
A lobista conversava sobre a liberação de verbas diretamente com o governador Carlos Brandão — inclusive informando-o sobre a liberação dos recursos.
“Bom dia, governador! Marcola acaba de avisar que foi liberada a obra para a Av. Litorânea”, escreveu ela para Brandão em 5 de junho de 2024. O “Marcola” mencionado por Luchsinger é o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro. Marcola foi demitido no mês passado, depois de a coluna revelar que Roberta Luchsinger pagava contas dele.

Na conversa, Luchsinger diz ainda que “Marcola está mto feliz” e que no “dia 21 o presidente tá aí e vai sobrevoar a avenida com vc (sic)”. Brandão responde: “Opa! Notícia boa”.
No mesmo dia, Luchsinger manda uma mensagem sobre o assunto para Gilberto Lins, então presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap). Trata-se de uma estatal local responsável pela gestão dos portos do Maranhão.
Em dezembro daquele ano, Lins foi afastado da presidência da empresa por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O Supremo entendeu que a nomeação dele configurava nepotismo, pois ele é casado com uma sobrinha do governador Brandão.

“Bom dia, amigo! Obra da Litorânea foi autorizada!”, afirma ela. “Vc é retada”, responde Lins, com emojis de coração. “Presidente (Lula) é foda mesmo. Rui (Costa, então ministro da Casa Civil) negou e ele botou o pau na mesa. Mandou fazer”, declara Luchsinger. “O governador deve tá feliz da vida”, diz ela.





No mesmo dia, Roberta encaminha as mensagens de Pablo para Marcola, inclusive os três documentos. “Ontem ficou faltando esse RSS”, diz ela, em seguida, para Marcola. “Maranhão rsrs”, acrescenta.
Nas conversas com Swedenberger Barbosa, Roberta Luchsinger encaminhava, com frequência, ofícios como os do governo do Maranhão, pedindo a liberação de verbas.