domingo, agosto 23, 2026
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Lula: País que tem petróleo desta qualidade não vai permitir que ninguém meta o dedo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou nesta segunda-feira, 17, a qualidade do petróleo descoberto na bacia da Foz do Amazonas e lançou um desafio ao colega dos Estados Unidos, Donald Trump, com quem vive em rota de colisão. Em tom de campanha, Lula disse que, se Trump quiser fechar o Estreito de Ormuz por causa de conflitos com o Irã, o Brasil terá petróleo para oferecer.

“País que tem petróleo desta qualidade não vai permitir que ninguém meta o dedo”, afirmou o presidente, ao definir o óleo identificado pela Petrobras na Margem Equatorial como “chique”. A frase foi mais um recado a Trump em um discurso recheado de referências à soberania, bandeira da campanha petista.

Lula visitou o navio-sonda da Petrobras, no Amapá, acompanhado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), com quem se reconciliou na semana passada, dos ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Miriam Belchior (Casa Civil) e da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.

A cerimônia ocorreu três dias após a Petrobras anunciar que havia identificado hidrocarbonetos em águas profundas da Margem Equatorial, que vai do litoral do Amapá ao Rio Grande do Norte. Nesta segunda-feira, 17, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, confirmou a descoberta de petróleo. “A gente ainda não sabe quanto, mas estamos extremamente otimistas com o que estamos encontrando aqui”, observou.

A tônica eleitoral marcou a cerimônia na qual Lula vestiu o macacão laranja da Petrobras. Como mostrou o Estadão, a descoberta do novo petróleo será usada na propaganda de Lula como mais conquista do governo.

“O Brasil está preparado para fazer muito mais”, disse o presidente na cerimônia, em frase alusiva ao slogan “O Brasil pronto pra mais”, mote de sua campanha ao quarto mandato.

As menções a Trump no discurso não foram à toa. O presidente dos Estados Unidos é um importante aliado da família Bolsonaro e, no diagnóstico do Palácio do Planalto, tem feito articulações para tentar interferir nas eleições de outubro.

Na prática, desde o tarifaço imposto pelos EUA a produtos brasileiros, Lula tenta mostrar os prejuízos causados ao País após as movimentações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário.

“Se Trump quiser fechar o Estreito de Ormuz, nós temos aqui petróleo da Margem Equatorial”, disse o presidente. A declaração de Lula, no entanto, usa como promessa a venda de um petróleo que acabou de ser descoberto e ainda não teve sua exploração iniciada.

Após a visita ao navio-sonda da Petrobras, o presidente lembrou da descoberta do pré-sal, em 2007, e afirmou que sentia a mesma emoção daquela época. Ele chegou a repetir um gesto feito em setembro de 2008, sujando novamente as mãos de petróleo. À época, o petista carimbou as costas da então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), indicando que ela seria a sua sucessora.

Nesta segunda-feira, 17, Lula voltou a condenar o processo de privatização de empresas estatais no setor de combustíveis. “Eu ainda sonho em comprar de volta a refinaria que eles privatizaram”, admitiu. “Eu queria que alguém me explicasse o que o povo brasileiro ganhou com a privatização da BR, com a refinaria da Bahia, com a refinaria do Amazonas”, completou.

Lula tem criticado com frequência a posição do governo Jair Bolsonaro pela privatização da BR Distribuidora, antiga subsidiária da Petrobras, que atuava na distribuição de combustíveis. Depois da privatização, a empresa foi renomeada como Vibra Energia.

Por contrato, até 2029, a Petrobras não pode concorrer com a Vibra (ex-BR Distribuidora). Embora ocorram críticas à privatização, o governo tem reiterado o respeito à cláusula contratual. Em março, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa reconheceu a possibilidade de retorno da atuação estatal no setor de distribuição de combustíveis. As discussões, porém, seriam preliminares.

“O cara que vendeu deveria ganhar o prêmio Nobel de burrice. Ao invés de ser bom gestor, fazendo as coisas funcionarem, ele tenta fazer as coisas funcionarem vendendo”, protestou.

Presidente diz que Lava Jato queria destruí-lo

Diante de uma plateia formada por funcionários da Petrobras e políticos, Lula também citou a Lava Jato. Em abril de 2018, ele foi preso no âmbito da operação e ficou detido na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, por 580 dias. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as suas condenações. Além disso, a Corte considerou o ex-juiz Sérgio Moro – hoje senador e candidato ao governo do Paraná – parcial contra Lula.

“Vocês sabem que, há pouco tempo atrás, com a Lava Jato, o objetivo era tentar destruir duas coisas: a Petrobras, as empresas da construção civil e também tentar acabar com a possibilidade de eu ser presidente da República”, afirmou Lula. E concluiu: “Cá estou eu, cá está a Petrobras e cá está o povo brasileiro, firme e forte”.

A Petrobras, na sua avaliação, não consegue “sobreviver” se não houver investimento em pesquisa e incentivo à produção nacional. Depois, criticou aqueles que, nas suas palavras, têm “complexo de vira-lata” e classificam investimentos como gastos desnecessários.

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