O cantor Netinho morreu aos 60 anos, em Salvador. Considerado uma das principais vozes do axé music, o artista enfrentava um câncer no sistema linfático desde março de 2025. Natural de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, ele construiu uma carreira marcada por sucessos que atravessaram gerações.
De acordo com a assessoria do cantor, o velório e a cremação ocorrerão em uma cerimônia reservada a familiares e amigos próximos. A decisão atende a um desejo manifestado pelo próprio artista.
Ao longo da carreira, Netinho conquistou o público com músicas como ‘Beijo na Boca’, ‘Fim de Semana’ e ‘Milla’. Esta última se tornou seu maior sucesso e uma das canções mais conhecidas do axé.
Do diagnóstico ao tratamento público
Em 22 de março de 2025, Netinho revelou que havia recebido o diagnóstico de câncer no sistema linfático. Antes da descoberta, o cantor precisou de internação no Hospital Aliança Star, em Salvador, após sentir fortes dores nas pernas.
Desde então, o artista passou a compartilhar nas redes sociais diferentes etapas do tratamento. Entre os momentos que mostrou ao público, estava a decisão de raspar o cabelo.
Os primeiros acordes em Salvador
Netinho nasceu em 12 de julho de 1966, em Santo Antônio de Jesus. Aos 10 anos, mudou-se com a família para Salvador, cidade onde começou a desenvolver sua paixão pela música.
Quatro anos depois, ganhou o primeiro violão da mãe. Já aos 16 anos, ingressou no curso de Engenharia Civil da Universidade Católica do Salvador (Ucsal).
Durante a faculdade, conciliava os estudos com apresentações em colégios e bares. Na época, seu repertório incluía músicas de MPB e bossa nova.
No entanto, a grande virada profissional ocorreu em 1988, quando assumiu os vocais da Banda Beijo durante o Carnaval de Salvador.
Ainda naquele ano, conquistou projeção nacional com ‘Beijo na Boca’. Posteriormente, ampliou seu repertório de sucessos com ‘Estrela Primeira’, ‘Barracos’ e ‘A Vida é Festa’.
‘Milla’ e o axé pelo mundo
Em 1996, três anos após iniciar a carreira solo, Netinho lançou ‘Milla’, música que se tornou o maior sucesso de sua trajetória. A canção também ajudou a consolidar o axé entre os gêneros mais populares do Brasil.
Com o reconhecimento nacional, o cantor expandiu sua carreira para outros países. Assim, levou o ritmo baiano a públicos internacionais, com apresentações na Itália e no Chile.
Além da música, Netinho também investiu no setor empresarial. No Rio de Janeiro, abriu um estúdio de gravação e mixagem que recebeu artistas como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Laura Pausini e Lenny Kravitz.
O cantor também criou um selo musical para revelar novos talentos da Bahia e incentivar a produção artística local.
Na vida pessoal, foi casado com a jornalista Mariana Trindade entre 1997 e 2003. Dessa relação, nasceu sua filha, Bruna Trindade.
Momentos marcantes da trajetória
Antes do diagnóstico de câncer, Netinho já havia enfrentado problemas graves de saúde. Em 2013, sofreu três acidentes vasculares cerebrais (AVCs), que provocaram diversas sequelas, incluindo a perda da voz.
Por causa das complicações, precisou interromper a carreira e ficou quatro anos afastado do Carnaval de Salvador.
Além da trajetória artística, o cantor também teve uma breve participação na política. Em 2022, disputou uma vaga de deputado federal pelo PL, mas não conseguiu se eleger.
Na eleição, recebeu cerca de 31 mil votos e ficou como suplente do partido, conforme os registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Netinho também manifestou apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em 2021, participou de ao menos uma manifestação favorável ao então presidente, posicionamento que provocou críticas.
Apesar das controvérsias, sua trajetória musical ficou marcada pela popularização do axé e por canções que conquistaram o público dentro e fora do Brasil.
Fonte BPMoney
