O New York Times diz que o governo brasileiro montou uma barreira para proteger a votação de domingo de uma possível ação dos Estados Unidos, e o próprio jornal admite que Donald Trump não declarou apoio a nenhum candidato
O Globo repercutiu nesta quinta-feira (1º) uma reportagem do New York Times segundo a qual o Brasil está erguendo uma barreira para proteger a votação de domingo (4) de uma possível interferência dos Estados Unidos. A apuração do jornal americano saiu de mais de uma dezena de servidores, funcionários da Justiça Eleitoral, policiais, agentes de inteligência e diplomatas.
As medidas que o jornal lista são o monitoramento do lobby estrangeiro e da desinformação, o combate a alegações de fraude e a busca de apoio na Europa, na Ásia e em outros países. A CBN registrou que missões da União Europeia, do Canadá, do Japão e da Austrália tratam, em conversas informais, de defender juntos a integridade do voto, qualquer que seja o vencedor, e ao mesmo tempo temem confrontar Washington.
O próprio NYT escreve que Trump não declarou apoio aberto a nenhum candidato, e o que o jornal chama de impulso a Flávio Bolsonaro é a leitura dele, não um anúncio da Casa Branca. No relato das autoridades brasileiras, o medo é que uma nova ação americana prejudique a imagem de Lula numa disputa apertada, embora há cerca de um mês os Estados Unidos tenham rejeitado a acusação de interferência, depois de tentarem, no verão, enviar uma delegação para olhar a lisura da eleição.
O diário ainda chama este pleito de o maior teste para a direita na América Latina, depois de sete vitórias regionais de candidatos alinhados a Washington, duas delas com endorsement explícito de Trump. Na mesma semana, o Guardian mostrou a destinação de US$ 1 milhão a um projeto do Departamento de Estado contra o que o programa chama de censura do Supremo, e a votação é domingo.
fonte: Editorial Central
