sexta-feira, abril 17, 2026
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PF mira médico suspeito de usar verba da Covid-19 para pagar propina a fiscais em GO

A Polícia Federal (PF) investiga um médico por suposto desvio de recuros da Covid-19 para o pagamento de propina a fiscais em Goiás. Apuração, que envolve a Controladoria Geral da União (CGU), revelou que servidores públicos encarregados de fiscalizar contratos de saúde em Goiás recebiam dinheiro para ignorar irregularidades. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na casa do médico, no Jardim Goiás, e também na residência do pai dele, no Setor Sul. O investigado é responsável por uma Organização Social (OS) que administrava – à época da pandemia – várias unidades de saúde no estado, incluindo o Hospital de Urgências de Goiás (Hugo).

Ao todo, são cumpridos 50 mandados judiciais, sendo quatro de prisão preventiva e 46 de busca e apreensão, no âmbito das operações simultâneas Rio Vermelho e Makot Mitzrayim. As ações ocorrem em Goiânia (GO), Brasília (DF), São José do Rio Preto (SP) e em cidades dos estados de Tocantins (TO) e Maranhão (MA).

Desvio de verbas da Covid-19

O esquema envolvia contratos superfaturados e o uso de empresas parceiras para desviar recursos destinados ao combate à pandemia. As investigações apontam que a estrutura da Organização Social alvo das ações era utilizada para viabilizar lucros indevidos por meio de simulações de concorrência e direcionamento de editais, nos quais empresas ligadas ao dirigente da OS eram contratadas com valores acima do mercado.

Imagem da operação
Operação aponta que lucros indevidos eram prioridade sobre assistência hospitalar (Divulgação PF)

O braço da investigação batizado de Operação Rio Vermelho foca especificamente na gestão de recursos destinados ao enfrentamento da pandemia de Covid-19 em unidades de campanha. Segundo a PF, o esquema era alimentado pelo superfaturamento de serviços: o excedente financeiro, além de enriquecer os envolvidos, servia para garantir o “silêncio” e a conivência de agentes públicos que deveriam fiscalizar a execução dos contratos em unidades como o Hugo.

Lucro x precarização do trabalho

Já a Operação Makot Mitzrayim revelou um mecanismo de “quarteirização” e “quinteirização” de serviços. A OS subcontratava empresas para tarefas que nunca eram entregues na totalidade ou que possuíam valores inflados para gerar o excedente usado no pagamento de propina.

Além das buscas nas residências no Jardim Goiás e no Setor Sul (casa do pai do investigado, que não é alvo direto das apurações), a Polícia Federal identificou que o esquema causava a precarização das relações de trabalho nas unidades de saúde. Isso ocorria porque as estruturas simuladas visavam apenas a maximização de ganhos para o gestor da OS, em detrimento da qualidade do atendimento hospitalar e dos direitos dos profissionais de saúde.

O nome dos investigados não foi divulgado e suas defesas não foram localizadas até o fechamento desta edição. O espaço permanece aberto para manifestações.

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