terça-feira, abril 23, 2024
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Pode ir na ONU, no raio que o parta, não tô nem aí, diz Tarcísio sobre denúncias de abuso da PM no litoral

 O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse nesta sexta (8) que não está “nem aí” para as denúncias de abusos cometidos durante a Operação Verão da Polícia Militar, no litoral de São Paulo.

“Sinceramente, nós temos muita tranquilidade com o que está sendo feito. E aí o pessoal pode ir na ONU, pode ir na Liga da Justiça, no raio que o parta, que eu não tô nem aí”, disse o governador.

A Conectas Direitos Humanos e a Comissão Arns apresentaram nesta sexta-feira uma queixa ao Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) pela escalada da violência policial na Baixada Santista. O movimento das entidades de defesa dos direitos humanos foi revelado pela coluna de Mônica Bergamo.

Na denúncia, a diretora-executiva da Conectas, Camila Asano, afirma que a gestão Tarcísio “vem investindo na violência policial contra pessoas negras e pobres”.

“Registros oficiais indicam que as mortes em decorrência de intervenção policial em São Paulo subiram 94% no primeiro bimestre de 2024. Esse é o resultado de uma ação deliberada do atual governador, Tarcísio de Freitas”, diz. “Há denúncias de execuções sumárias, tortura, prisões forjadas e ausência deliberada do uso das câmeras corporais na operação”, acrescenta Asano, em vídeo enviado à 55ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, na Suíça.

As entidades pedem então a implementação do programa de câmeras no estado e a garantia de “atendimento adequado a vítimas, familiares e testemunhas de casos de violência policial”.

“Solicitamos a este conselho que inste o estado brasileiro a estabelecer medidas de controle da violência policial no estado de São Paulo, assegurando a implementação do programa de câmeras corporais”, afirma Asano, no vídeo.

Antes da declaração em que ironizou a queixa à ONU, Tarcísio disse que as operações policiais são baseadas em inteligência, que o enfrentamento ao crime é feito de forma profissional e que excessos serão investigados e punidos.

“A gente está restabelecendo a ordem e isso é importante, não existe progresso sem ordem. Estamos restabelecendo o direito de ir e vir, restabelecendo a segurança, fazendo enfrentamento à maior organização criminosa do Brasil”, disse o governador nesta sexta.

“Não tem bandido na polícia. E quando tem, quando tem excesso, esse excesso vai ser punido exemplarmente. Nós não vamos tolerar o desvio de conduta, não vamos tolerar indisciplina, tudo a gente vai investigar”, completou Tarcísio.

Além da denúncia de Conectas e Comissão Arns, o Gaesp (Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial), do Ministério Público de São Paulo, disse nesta quinta (7) que abriu uma notícia fato para investigar denúncias de que os mortos na operação estão sendo levados como vivos para hospitais.

Os relatos foram feitos por funcionários da Saúde de Santos. O Gaesp afirma que vai colher os prontuários médicos e identificar os socorristas para investigar como o transporte dos corpos ocorreu. As denúncias foram reveladas pelo G1.

O governador negou ter recebido tais denúncias e voltou a defender o trabalho dos policiais.

“A nossa polícia é extremamente profissional. É uma pena que toda hora as pessoas querem colocar a polícia na posição de criminosa. Não é isso, esses caras estão defendendo a gente, a nossa sociedade. Estão vestindo a farda para ir enfrentar criminoso”, disse Tarcísio, também nesta sexta.

Até o dia 1º de março, a Operação Verão deixou 39 mortos na Baixada Santista. A operação teve início após a morte do soldado da Rota Samuel Wesley Cosmo, 35, em 2 de fevereiro. Ao menos um outro PM em serviço também morreu durante a operação, na periferia de Santos.

A operação já é a segunda ação mais letal da história de São Paulo, atrás apenas do massacre do Carandiru, quando 111 homens foram mortos durante a invasão da Casa de Detenção, em 2 de outubro de 1992.

O número de mortes da Operação verão também já é superior ao de 40 dias de Operação Escudo, realizada na mesma região entre 28 de julho e 5 de setembro, quando 28 pessoas foram mortas. A ação foi deflagrada após o assassinato do também soldado da Rota Patrick Bastos Reis, 30. Assim como Cosmo, Reis estava em serviço ao ser atingido.

Folha de São Paulo

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