A nota foi emitida pelo governo após reunião ministerial realizada com membros do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), Casa Civil e do Ministério da Fazenda.
No texto, o governo afirma que o país trava “combate permanente” contra facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e milícias armadas. E que as organizações criminosas atuam com foco em lucro por meio do tráfico de drogas e armas e não devem ser confundidas com grupos ligados ao terrorismo internacional por motivações ideológicas, políticas ou religiosas.
O comunicado também faz críticas à família Bolsonaro, acusada pelo governo de buscar apoio estrangeiro para interferir em assuntos internos do Brasil. “É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil”, diz o texto.
O governo afirmou ainda que aprovou recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas de até 80 anos de prisão e destacou o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, voltado ao enfrentamento dessas organizações.
O texto afirma que o Executivo defende a cooperação internacional no combate ao crime transnacional, mas ressalta que não aceitará “medidas arbitrárias vindas do estrangeiro” que possam afetar a soberania brasileira ou a economia do país.
A nota ainda menciona ainda preocupações com possíveis impactos sobre o compartilhamento de informações entre forças de segurança, o sistema financeiro nacional e ferramentas como o PIX, sistema de pagamento eletrônico.
Ao final, o governo reforça que o combate ao crime deve ser conduzido pelas instituições brasileiras. “A soberania nacional é inegociável”, conclui.
Leia a nota na íntegra
“O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro.
O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional.
A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros.
É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país.
Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão – a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima.
O crime organizado não respeita fronteiras e seu combate exige ação conjunta. Construímos, ao longo de décadas, parcerias com vários países, inclusive com os Estados Unidos. O Brasil apresentou em 16 de abril deste ano, ao Departamento de Estado dos EUA, uma proposta focada na inteligência e na cooperação internacional que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil.
Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia.
Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros.
Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país.
A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.
Governo do Brasil”
Fonte: Band
