terça-feira, maio 28, 2024
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França cria 1ª usina do mundo capaz de reciclar plásticos e materiais destinados à incineração

A França se prepara a lançar a “primeira fábrica do mundo” a reciclar “o que não pode ser reciclado”. Depois de desenvolver uma tecnologia inovadora, a Carbios agora está se preparando para abrir o que descreve como “a primeira usina do mundo” desse tipo no leste da França. “A primeira usina de biorreciclagem do mundo será feita na França”, saudou o presidente francês Emmanuel Macron, descrevendo o processo como uma “revolução tecnológica” e a fábrica a ser criada como “orgulho francês”.

Com sua tecnologia, a empresa afirma ser capaz de reciclar produtos que ninguém quer. Garrafas, bandejas plásticas e roupas velhas em particular, mesmo aquelas de baixa qualidade ou sujas, são as mais procuradas pela empresa, já que a maioria das outras empresas de reciclagem não as processa.

“Não estamos interessados na qualidade dos resíduos recebidos, estamos procurando até mesmo resíduos medíocres”, explicou à imprensa o diretor administrativo da Carbios, Emmanuel Ladent. “Com uma tecnologia como a da Carbios, vamos atrás de tudo o que os outros não reciclam”.

Essa solução oferecerá “reciclagem circular para resíduos difíceis de reciclar, valorizando-os e evitando que sejam depositados em aterros ou incinerados”, resumiu o grupo, sediado em Clermont-Ferrand (centro-leste da França), no lançamento da pedra fundamental de sua fábrica em Longlaville (leste da França).

Em termos concretos, uma enzima criada pela empresa tem a capacidade, quando misturada com resíduos em um tanque, de separar os diferentes componentes dos resíduos e deixar de lado o politereftalato de etileno (PET).

É necessário cerca de um quilo de enzimas para uma tonelada de PET”, explicou Ladent. “Depois de algumas horas, sai um líquido”, uma vez que a enzima separou o PET. Em seguida, há estágios de filtragem e purificação para permitir a fabricação de PET totalmente bioreciclado, “sem comprometer sua qualidade”, de acordo com ele.

Pouco desperdício

Os plásticos PET são amplamente utilizados pela indústria, mas ainda são, em sua maioria, feitos de materiais derivados do petróleo, e não são reciclados.

Com esse processo, “para uma tonelada de resíduos preparados, 90% do material sai na reciclagem”, explica Ladent, um número que está “entre os mais altos” nas várias técnicas de reciclagem. O restante sai “na forma de um bolo, ou seja, partículas, que será um excelente consumível, ideal, por exemplo, para a energia de uma fábrica de cimento”.

O objetivo da Ladent agora é “licenciar” essa tecnologia e comercializá-la em todo o mundo, começando pela fábrica de Longlaville, a apenas alguns quilômetros de Luxemburgo e da Bélgica.

Os resíduos PET, com “um mínimo de garrafas plásticas e um máximo de resíduos difíceis de reciclar”, de acordo com o Ladent, serão coletados em um raio de “300 a 500 quilômetros” dessa cidade fronteiriça, na França, Alemanha, Bélgica ou Luxemburgo.

Diversas marcas, incluindo L’Occitane, L’Oréal, Salomon e Puma, já são parceiras da Carbios. Em particular, a Carbios planeja criar uma cadeia de reciclagem dedicada a têxteis, alguns dos quais são feitos de poliéster. De acordo com a Carbios, apenas 13% dos têxteis são reciclados atualmente.

“Foi necessária uma década de pesquisa para aperfeiçoar essa técnica de reciclagem, conhecida como “despolimerização enzimática”, diz a empresa. Um processo inicial de pesquisa e desenvolvimento foi realizado em 2011, seguido de testes de campo em laboratório e, depois, do demonstrador industrial em Clermont-Ferrand.

Localizada em um terreno de 13 hectares, a futura fábrica terá capacidade para processar 50.000 toneladas de resíduos por ano, o que representaria, por exemplo, 300 milhões de camisetas. Serão criados cerca de 150 empregos diretos e indiretos.

O investimento, estimado em € 230 milhões em junho de 2023, será parcialmente financiado pelo governo francês. Espera-se que a fábrica esteja totalmente operacional em 2026.

(Com AFP)

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