sábado, julho 20, 2024
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Entenda cenário político na Bolívia que levou a tentativa de golpe militar

O presidente da Bolívia, Luis Arce, denunciou nesta quarta-feira (26) o que chamou de “mobilização irregular” de unidades do Exército, enquanto o ex-presidente Evo Morales disse que há um golpe de Estado em curso.

Veículos militares e soldados se dirigiram ao palácio presidencial em La Paz e destruíram a porta de entrada do local.

Segundo a agência de notícias Reuters, o general Juan José Zúñiga, que foi destituído do cargo de comandante do Exército nesta terça (25), disse que “por enquanto” reconhece Arce como chefe das Forças Armadas, mas que haverá uma troca ministerial no governo.

“Os três chefes das Forças Armadas viemos expressar nossa discordância. Vai haver um novo gabinete de ministros, com certeza as coisas vão mudar, mas nosso país não pode continuar desse jeito”, disse Zúñiga à mídia local.

A política boliviana passa por sobressaltos nos últimos anos. Em 2019, alegações de fraude na eleição daquele ano e protestos massivos forçaram Evo, então reeleito para um polêmico quarto mandato, a renunciar e buscar asilo no México.

Ele retornou ao país em 2020, com a vitória do apadrinhado Luis Arce, do mesmo partido de Evo, o MAS (Movimento ao Socialismo). Nos últimos meses, no entanto, os dois têm evidenciado desentendimentos que provocaram um racha no partido.

VEJA DATAS IMPORTANTES DA POLÍTICA BOLIVIANA DESDE A PRIMEIRA ELEIÇÃO DE EVO

Eleição de 2005

Evo Morales é eleito presidente, tornando-se o primeiro presidente indígena da Bolívia. Seu governo faz reformas, incluindo a nacionalização de recursos naturais. Assume em janeiro de 2006.

Referendo para mudança constitucional em 2009

Evo promove nova Constituição, aprovada por referendo, que amplia os direitos indígenas e permite reeleição presidencial para dois mandatos consecutivos.

Reeleição de Evo em 2009

Evo é reeleito com ampla margem de votos, consolidando poder e continuando políticas sociais e de nacionalização.

Eleição para terceiro mandato de Evo, em 2014

O presidente é reeleito para um terceiro mandato, após a Corte Constitucional permitir sua candidatura, argumentando que seu primeiro mandato não contava sob a nova Constituição, ou seja, não entrava na soma de dois mandatos consecutivos permitidos pelo novo texto.

Referendo de 2016

Em referendo para permitir nova reeleição, Evo é derrotado. Ele decide, porém, ser candidato novamente após a Corte Constitucional declarar que a limitação de mandatos violava seus direitos humanos.

Pleito de 2019

Já com a candidatura contestada pela oposição e em meio a acusações de fraude na contagem de votos, protestos massivos contra e a favor de Evo que, pressionado a renunciar, busca asilo no México.

Renúncia e asilo em 2019

Evo renuncia após perder o apoio das Forças Armadas e enfrenta crescente pressão popular e internacional. Jeanine Áñez assume como presidente interina.

Exílio e retorno de Evo

Evo vive no exílio por um ano, primeiro no México e depois na Argentina, antes de retornar à Bolívia após a vitória de Luis Arce, do MAS, nas eleições de 2020.

Eleições de 2020

Luis Arce, aliado de Evo, vence as eleições presidenciais, permitindo a continuidade das políticas do MAS e o retorno de Evo à Bolívia.

Prisão de Áñez, em 2021

Jeanine Áñez é presa acusada de conspiração, sedição e terrorismo nos dias que se seguiram à renúncia de Evo. Ela é condenada em 2022 a 10 anos de prisão.

Racha no MAS e rusgas com Arce

Em 2023, Evo e Arce entraram em rota de colisão. O presidente chegou a ser expulso do MAS em congresso do partido tomado por apoiadores de Evo e boicotado por Arce e seus apoiadores.

Ameaça de Zúñiga a Evo

O general Zúñiga diz que Forças Armadas são o “braço armado do povo e da pátria” e que deteria Evo se fosse o caso para que a Constituição fosse respeitada. Frase vista como ameaça derrubou o general nesta terça-feira.

Folha de São Paulo

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